Quinta, 21 Maio 2020 00:53

Petrobrás usa “técnica obscura de gestão” e deixa categoria apreensiva

 

Negligência de informações e decisões unilaterais ditam a atual cartilha da empresa. No Paraná e Santa Catarina 97,2% dos petroleiros que participaram de questionário produzido pelo Sindipetro não foram consultados sobre medidas de resiliência durante a pandemia do novo coronavírus

 

A atual administração da Petrobrás tem se caracterizado por uma prática traiçoeira que pode ser definida como “técnica obscura de gestão”. Significa dizer que Castello Branco e sua turma preferem menos informações aos trabalhadores e mais insegurança no dia a dia da categoria. Diante dessa postura unilateral, o Sindicato foi à base e mapeou a opinião dos trabalhadores em relação às medidas de prevenção ao novo coronavírus adotadas pela empresa (saiba mais AQUI).

 

Um dos resultados mostra que “97,2% dos petroleiros que participaram do questionário afirmaram que a empresa não os consultou para negociar alteração de jornada de trabalho e/ou alteração de salário”.

 

 

:: => “65% dos petroleiros do Paraná e Santa Catarina acreditam que as medidas da Petrobrás são insuficientes no combate ao Covid-19”.  

 

Luta permanente

 

Para o Sindipetro PR e SC a resposta da base está alinhada ao que se vê no dia a dia desde o início de 2019, quando essa administração, endossada pelo Governo Federal, intensificou os ataques ao Acordo Coletivo de Trabalho da categoria. Considera ainda que é preciso resistir e denunciar irregularidades promovidas por uma gestão que mantém sua “cruzada” contra os direitos dos trabalhadores e a representatividade sindical.   

 

Prova disso é que atualmente, em plena pandemia do Covid-19, a Petrobrás age de forma ilegal e, nesse contexto, imoral ao reduzir salários de trabalhadores, assim como privatizar a Assistência Multidisciplinar de Saúde (AMS), promover o desmonte do Sistema Petrobrás e descumprir o que foi acordado no Tribunal Superior do Trabalho (TST) durante mediação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

 

Omissão

 

Assim como a proliferação do vírus é mortal, a não disseminação de informações sobre prevenção ao Covid-19 pode agravar um quadro já perigoso. Por isso o Sindipetro PR e SC busca envolver autoridades e o poder público nessa luta urgente.

 

:: => Resultados de testes indicam risco de contaminação em massa na Repar

 

O objetivo de se exigir transparência por parte da administração da companhia é para orientar a categoria e a sociedade com informações precisas sobre ações de prevenção aos trabalhadores.

 

Atualmente o Sindipetro coleta informações vindas da categoria, seja através de denúncias nos canais oficiais ou com seus diretores. Todas extremamente importantes.

 

Porém, para a entidade, é inadmissível que a Petrobrás não priorize informar a quantidade de casos positivos de Covid-19 nas unidades, se restringindo aos dados de setores específicos ou emitindo informes com números nacionais.

 

Uma prática que, assim como um vírus, contamina o interesse público e impede que outros petroleiros, suas famílias e a sociedade se protejam.

 

:: => Repar nega testes de Covid-19 para familiares de trabalhadores contaminados

 

Gestões e “gestões”

 

O que causa estranheza nas ações da empresa é a disparidade de tratamento por parte das gerências de diferentes unidades quando o assunto é a prevenção dos trabalhadores ao Covid-19. Há claros conflitos gerenciais dentro da própria companhia e não existe isonomia de protocolos adotados.

 

Prova disso é a gerência do Terminal Transpetro Paranaguá (Tepar), que demonstra preocupação com o avanço do vírus e tem dialogado com o Sindicato para implementar ações de prevenção.   

 

Conduta bem diferente se comparada à Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, que faz dos dados da pandemia uma espécie de “caixa preta”.  

 

:: => Sobe para cinco o número de casos de novo coronavírus no Tepar

 

 

Canal de Denúncia

 

O Sindipetro Paraná e Santa Catarina recebe informações sobre os casos que envolvem o novo coronavírus através do e-mail denuncia@sindipetroprsc.org.br, pelo (41) 3332-4554 ou ainda diretamente com os dirigentes sindicais. Todos os relatos são importantes para que o Sindicato atue no sentido de zelar pela saúde e segurança da categoria e da comunidade. 

 

*Essa matéria faz parte de uma série de informes dos resultados da pesquisa realizada sobre as medidas de prevenção ao Covid-19 adotadas pela Petrobrás no Paraná e Santa Catarina. O objetivo é difundir a opinião dos petroleiros sobre as condições de trabalho durante a pandemia.

 

Por Regis Luís Cardoso (imagem: CUT). 

Última modificação em Quinta, 21 Maio 2020 14:56

Jornal Revista

Edição Nº 1418

Veja Todos os Jornais

TV Sindipetro