Quinta, 24 Dezembro 2020 18:18

Um ano de luta por dias melhores

Sindicato divulga carta aos petroleiros e petroleiras do Paraná e Santa Catarina.

 

 

Eduardo Galeano, escritor uruguaio falecido em 2015, certa vez contou que quando fazia uma espécie de palestra em Cartagena das Índias, na Colômbia, com seu amigo Fernando Birri, diretor de cinema argentino, um estudante perguntou “para que serve a utopia?”

 

Galeano narrou que ficou com dó do seu colega e pensou “uau, o que se diz numa hora dessas?”. Birri cravou a frase cuja autoria muitas vezes é atribuída ao próprio escritor. “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos, e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”

 

Nesses tempos difíceis e esquisitos, deixar de caminhar não é uma opção. Ao olhar para trás e fazer uma retrospectiva deste ano, percebemos que os petroleiros(as), enquanto categoria organizada, jamais desviaram da luta por dias melhores.

 

A manutenção da Petrobrás estatal e a preservação dos empregos foram as batalhas principais de 2020. Tanto que em fevereiro a categoria fez uma das maiores greves da sua história. A luta foi contra o fechamento da Fábrica de Fertilizantes do Paraná (Fafen-PR) e a consequente demissão em massa de mil trabalhadores, entre próprios e terceirizados, e pelo fim das medidas unilaterais da direção da empresa que afetavam a vida de milhares de empregados.

 

O resultado final não foi o esperado. A gestão de fato encerrou as atividades da Fafen-PR, mas foi obrigada a melhorar o acordo dos desligamentos e teve que negociar com a FUP sobre o cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Foram 20 dias de greve, com a adesão de cerca de 30 mil petroleiros de mais de 120 unidades do Sistema Petrobrás em 13 estados do país. Durante esse tempo aconteceu muita coisa. A maior assembleia da história do Sindipetro PR e SC no auditório da APP-Sindicato, em Curitiba, festival de rock na greve, protestos históricos como a mobilização conjunta de todas as bases de Santa Catarina, a presença das famílias nos piquetes e a ocupação do edifício sede da Petrobrás no Rio de Janeiro, entre outros, são episódios que marcaram a luta da categoria.         

 

Mal acabou a greve e a pandemia do novo coronavírus assolou o país. A direção da estatal, chancelada pelo governo Bolsonaro, viu uma nova oportunidade de atacar os trabalhadores. Elaborou o chamado “Plano de Resiliência” e tentou aplicar goela abaixo da categoria a redução de salários com diminuição de jornada, mudança de regime de trabalho com retirada de adicionais e outras ações unilaterais que prejudicavam os empregados. Como não havia qualquer forma de negociação direta, o Sindipetro PR e SC agiu rápido e judicializou contra essas medidas, conseguindo neutralizar a maioria delas.

 

Um embate travado ao longo do ano todo junto às gestões locais foi pela adoção de medidas de prevenção ao contágio nos locais de trabalho. Se no âmbito nacional a Petrobrás deixou muito a desejar no combate ao coronavírus, nas unidades não foi muito diferente. O Sindicato atuou no sentido de cobrar incisivamente e repetidamente das gerências locais sobre informações dos casos e ações no sentido de evitar a propagação do vírus. Uma das pesquisas feitas pelo Sindicato mostrou que 65% dos petroleiros considerava as medidas sanitárias tomadas pela Petrobrás na pandemia eram insuficientes. O diálogo com a base foi fundamental para nortear o trabalho sindical.

 

Junto com a pandemia vieram vários desafios para a organização sindical. Novas ferramentas tecnológicas de interação passaram a fazer parte do cotidiano na relação Sindicato/Trabalhador. Assembleias e reuniões virtuais, lives em redes sociais, congressos feito de forma remota e até eleição sindical teve que ser feita por meio de plataformas eletrônicas. Tudo em prol da segurança das pessoas.  

 

Em tempos de doença, a solidariedade de classe floresceu ainda mais. Os impactos econômicos da pandemia resultaram no aumento expressivo do número de trabalhadores desempregados. Portanto, nada mais justo que quem manteve seu emprego ajudasse os que foram demitidos. O Sindipetro PR e SC fez várias campanhas para que a categoria petroleira pudesse estender a mão aos que precisam. Além disso, uniu forças com trabalhadores rurais e se engajou nas missões de preparação de marmitas, nos trabalhos de plantio e colheita de alimentos em áreas da reforma agrária destinados às doações. Também fez várias doações de cargas de gás de cozinha e cestas básicas em comunidades carentes.

 

A luta pelo ACT também mereceu destaque em 2020. De uma proposta de aniquilação dos direitos dos petroleiros por parte da direção da Petrobrás, a organização e expertise da categoria conseguiu avançar nas negociações para um patamar de preservação das conquistas e estabilidade no emprego por dois anos. Tudo fruto, sem dúvida, da greve de fevereiro.   

 

Outras iniciativas do Sindicato ao longo do ano que merecem ser lembradas são a articulação em torno da Campanha Petrobrás Fica, as atividades que lembraram a passagem dos 20 anos do vazamento de petróleo nos rios Barigui e Iguaçu, inclusive com a produção de um minidocumentário, o Bate-Papo Sindical Semanal com Aposentados e Pensionistas, o Programa também semanal “Por Dentro do ACT”, os cursos de formação sindical, a Feira de Agroecologia aos sábados no Sindicato e toda reação imediata aos ataques que a categoria sofreu por parte da direção da empresa e do governo.

 

O ano está próximo do final, mas as atividades sindicais continuam. O Sindipetro continua em atuação na campanha 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher, junto com o Coletivo de Mulheres Petroleiras do PR e SC, nos embates com a empresa pelo regramento justo da PLR 2021 e principalmente na luta contra a privatização, entre outras pautas.   

 

Ao fazer um exercício de reflexão sobre 2020, percebemos que tivemos muitos desafios, mas também que reagimos à altura deles. Não foi um ano fácil para ninguém. Cada petroleiro e petroleira que participou das atividades sindicais foi importante na construção da nossa luta coletiva. A Direção do Sindipetro PR e SC agradece a todos. Certamente o próximo ano será de grandes conquistas, pois elas são feitas da nossa união e determinação.

 

Sigamos unidos em luta por dias melhores, pois “se não nos deixam sonhar, não os deixaremos dormir”. 

 

 

Boas Celebrações e Um Ano Novo de Renovação das Lutas

 

 

Direção do Sindipetro Paraná e Santa Catarina

 

 

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