Coletivo de Mulheres Petroleiras

Jurista Edilene Lobo fala sobre enfrentamento ao tecnocolonialismo, soberania popular e justiça como não dominação

A luta por justiça social, democracia, representatividade e enfrentamento às violências digitais marcou a palestra especial do 12º Encontro das Mulheres Petroleiras, realizada na noite do dia 6 de maio. Com o tema “Justiça Global, Democracia e Estado Ecossocial contra o Tecnocolonialismo”, a jurista, advogada e professora Edilene Lobo debateu os impactos do racismo, da desigualdade de gênero e das novas tecnologias sobre a vida das mulheres, especialmente das mulheres negras. Primeira mulher negra nomeada ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cargo que exerceu entre 2023 e 2025, Edilene destacou a sub-representação feminina negra em espaços de poder no Brasil, como o Legislativo, o movimento sindical, o mundo corporativo e o sistema de justiça. Segundo ela, mesmo sendo maioria da população, as mulheres negras seguem afastadas dos cargos de liderança e da magistratura.

Durante a palestra, Edilene abordou o racismo estrutural e a discriminação de gênero como problemas históricos ainda presentes na sociedade brasileira. A jurista ressaltou que a Constituição brasileira estabelece o racismo como crime e afirma a igualdade entre homens e mulheres, mas reconheceu que a discriminação persiste e exige intensificação da luta coletiva. Para ela, é necessário ampliar as vozes das minorias e garantir paridade em todos os espaços da sociedade. A palestrante também criticou a lógica da meritocracia, afirmando que ela desconsidera as desigualdades sociais e as condições concretas que impactam a trajetória das pessoas. Em contraposição, defendeu a importância da rede de apoio, da coletividade e da união como formas de resistência e sobrevivência. “Descansar também é uma forma de resistência”, destacou.

Edilene chamou atenção para o crescimento da violência digital e da misoginia nas redes sociais. Segundo dados apresentados na palestra, o número de denúncias de crimes cibernéticos aumentou 28,4% em 2025, enquanto os casos de misoginia online cresceram 224,9%, o maior aumento entre as categorias analisadas. A análise de plataformas como Instagram, Facebook, X e TikTok identificou mais de 32 milhões de interações relacionadas à violência digital. A jurista criticou o anonimato no ambiente virtual e afirmou que a ausência de contato pessoal reduz barreiras sociais e morais, favorecendo discursos ofensivos e violentos.

Ao encerrar sua participação, Edilene reforçou a importância da presença das mulheres na política e nos espaços de decisão como condição para a construção de políticas públicas voltadas às mulheres e ao conjunto da classe trabalhadora. Ela destacou que a exclusão feminina da política é resultado de uma cultura de dominação e defendeu a mobilização e o apoio entre mulheres nos processos eleitorais e nas organizações sociais e sindicais. Edilene também criticou a influência de estruturas de poder que afastam mulheres da política e defendeu a construção de uma sociedade baseada na justiça, na democracia e no enfrentamento à dominação tecnológica.

Ao final da palestra, a diretora da FUP, Cibele Vieira ofereceu o jaleco laranja dos petroleiros e petroleiras, símbolo da luta da categoria.