Categoria pressiona por regramento da PLR, novo PCAC e mediação no TCU para o fim dos PEDs
Em reunião, na quarta-feira, 27, o Conselho Deliberativo da FUP aprovou um calendário nacional de lutas para cobrar que a gestão da Petrobrás cumpra o que foi acordado com a categoria no encerramento da greve de dezembro do ano passado. O compromisso assumido pela empresa foi de realizar ainda neste semestre as negociações do novo Plano de Cargos e Salários, bem como a mediação no TCU com apresentação da proposta econômica para viabilizar a transação judicial com o objetivo de resolver os planos de equacionamentos de déficits da Petros, os PEDs.
Além disso, o RH sequer começou a discutir o regramento das PLRs futuras, na contramão do que foi definido no Acordo da PLR 2024/25, de que a negociação se daria ainda no primeiro trimestre de 2026.
As direções sindicais enfatizaram que essas pautas são estruturais para a categoria petroleira e que precisam ser resolvidas o quanto antes pela Petrobrás e suas subsidiárias, que, até o momento, não definiram o cronograma de negociação, descumprindo o que foi acordado com os trabalhadores. Diante da morosidade da empresa, o Conselho Deliberativo da FUP encaminhou a realização de assembleias até o dia 19 de junho para que a categoria avalie a realização de mobilizações setoriais entre os dias 22 e 26 de junho em todo o Sistema Petrobrás.
Apoio à reeleição do presidente Lula
Além de aprovar o calendário de luta, as assembleias também irão deliberar sobre o apoio à reeleição do presidente Lula, fator preponderante para o futuro da Petrobrás e da categoria petroleira. Barrar a volta da extrema direita é prioridade para toda a classe trabalhadora e sobretudo para o fortalecimento das empresas estatais que estão ainda em processo de reconstrução, após o desmonte e privatizações realizadas pelos governos Temer e Bolsonaro.
Resultados do 1 Tri colocam Petrobrás como a segunda petroleira mais lucrativa do mundo
Em apresentação sobre os resultados da Petrobrás no primeiro trimestre de 2026, o economista da subseção FUP do Dieese, Cloviomar Cararine, destacou que o valor da empresa chegou a R$ 563,2 bilhões, o maior da história, e que o lucro líquido de R$ 32,7 bilhões registrado nos três primeiros meses do ano foi o maior entre as grandes petroleiras do mundo, só perdendo para o lucro da petroleira da Arábia Saudita, a Saudi Aramco.
Os investimentos da Petrobrás no primeiro trimestre alcançaram 5,1 bilhões de dólares e a produção de petróleo e gás natural foi a maior da história da empresa, chegando a 3,2 milhões de barris por dia. As refinarias também atingiram a marca de 1,82 milhões de barris de derivados por dia, com um Fator de Utilização Total (FUT) de 95%.
Cararine lembrou que nos quatro anos de governo Bolsonaro, a empresa investia, em média, US$ 2,3 bilhões por trimestre. “A partir de 2023, no governo Lula 3, a média de investimentos trimestrais chegou a 4,2 bilhões de dólares”, comentou. Ele destacou ainda que no governo Bolsonaro, com as privatizações e cortes feitos pela Petrobrás, o valor de mercado da empresa chegou a R$ 345,9 bilhões.
Mesmo com os excelentes resultados do primeiro trimestre, a gestão da Petrobrás segue defendendo uma política de austeridade para os trabalhadores. Apesar dos dividendos distribuídos no primeiro trimestre (R$ 9 bilhões) representarem 28% do Lucro Líquido, bem menos do que a média de 110% que a empresa praticava no passado, as despesas com os trabalhadores equivalem a 11% das riquezas geradas, o que representa 6% de todos os gastos do Sistema Petrobrás.
Ou seja, quem continua se apropriando das riquezas que os trabalhadores produzem são os acionistas privados, dos quais 48% deles estão no exterior. “Dos R$ 9 bilhões em dividendos pagos no primeiro trimestre deste ano, os acionistas estrangeiros ficarão com R$ 4,3 bilhões e a União, que é o acionista controlador, com R$ 3,3 bilhões”, explicou o economista do Dieese que assessora a FUP.
Ele também alertou para a notícia veiculada recentemente pela imprensa da intenção do BNDES de se desfazer de parte das ações preferenciais que tem da Petrobrás, o que reduzirá a participação do Estado nos dividendos da empresa, aumentando, ainda mais, a evasão dessas riquezas para o setor privado.
[Da comunicação da FUP]