Pauta Local

Pesquisa aponta sobrecarga e dificuldades para realização de treinamentos na Repar

O Sindipetro PR e SC realizou, entre os dias 11 e 25, uma pesquisa com trabalhadores e trabalhadoras da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (PR), para levantar informações sobre efetivo próprio e treinamentos. O objetivo foi reunir dados que subsidiem as cobranças por melhorias que serão apresentadas pelo Sindicato à gestão da unidade, especialmente em temas relacionados à saúde e à segurança operacional. 

Os resultados demonstraram um cenário de insatisfação em relação ao dimensionamento das equipes. Ao todo, 91% dos participantes indicaram enfrentar acúmulo de tarefas e sobrecarga de trabalho, seja de forma frequente (53%) ou parcial (38%). O levantamento também apontou que os reforços durante as folgas seguem frequentes para suprir ausências e manter as atividades em funcionamento. 

Outro dado que chamou atenção diz respeito às chamadas “demandas reduzidas”. O termo foi introduzido no estudo de dimensionamento elaborado pela empresa em 2017 para caracterizar situações em que atividades não essenciais deveriam ser reorganizadas diante da ausência temporária de trabalhadores. No entanto, a percepção da categoria é de que ocorre justamente o contrário. Na pesquisa, 49% dos participantes relataram que essas situações ocorrem pelo menos uma vez por mês em seus setores (37% mais de uma vez por mês e 12% uma vez por mês). Na prática, os trabalhadores classificam esse cenário como uma “demanda aumentada”, marcada pelo acúmulo de funções e pela ampliação da carga de trabalho. 

Para o diretor sindical Thiago Olivetti, os resultados evidenciam o déficit de efetivo próprio na refinaria. “Os reforços na folga são frequentes e, mesmo assim, continuam ocorrendo as chamadas ‘demandas aumentadas’, descumprindo a palavra do gerente geral da Repar, que já tinha afirmado em duas reuniões com o Sindicato que isso não poderia mais ocorrer, devido aos riscos operacionais. Também ficou muito claro que grande parte dos setores não possui sobrelotação suficiente. Se alguém sai de férias ou fica afastado, as equipes podem ficar abaixo do necessário para responder a emergências ou atender as frentes de manutenção”, afirmou.

A pesquisa também revelou dificuldades relacionadas à realização dos treinamentos. De acordo com os dados coletados, 96% dos participantes relataram não conseguir se dedicar exclusivamente às capacitações durante o horário de trabalho. O resultado reforça uma preocupação já apresentada pelo Sindicato à gestão da Repar sobre os impactos do efetivo reduzido na qualidade dos processos de formação.

Questionados sobre alternativas para minimizar esse problema, 59% dos respondentes manifestaram-se favoravelmente à realização de treinamentos práticos da brigada durante os períodos de folga. Além disso, 60% avaliaram que não se sentem capacitados ou insuficientemente preparados para atuar na equipe de combate a emergências, indicando a necessidade de aperfeiçoamento das ações voltadas à qualificação profissional.

Olivetti destacou que os dados levantados servirão como instrumento para fortalecer as demandas da categoria. “O próximo passo é o Sindicato organizar a pauta de reivindicações para cobrar da Petrobras as melhorias necessárias, pois saúde e segurança no trabalho são prioridades na atuação sindical”, concluiu.

O Sindipetro PR e SC reafirma seu compromisso com a defesa de condições adequadas de trabalho, melhorias nos treinamentos e seguirá cobrando a recomposição dos efetivos, bem como a convocação integral dos aprovados nos últimos concursos da Petrobras, até que o cadastro reserva seja zerado.

 

Por Juce Lopes