O Sindipetro PR e SC participou, nesta terça-feira (18), da audiência pública “Balanço do Pacto Brasil Contra o Feminicídio”, realizada na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), com a participação da primeira-dama e coordenadora nacional do Pacto, Janja Lula da Silva. Proposta pelas deputadas estaduais Ana Júlia Ribeiro (PT) e Luciana Rafagnin (PT), a atividade reuniu representantes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, autoridades estaduais e municipais, movimentos sociais e entidades para discutir políticas de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres.
Representaram o Sindicato os diretores Alexandro Guilherme Jorge, Ana Carla Naumann, Ana Regina Peixoto, Cléverton Padilha, Gerson Guimarães, João Felchak, Leomar Setti, Marlus de Andrade, Natálio Stica, Rosilene Maranhão, Sandra Bréa, Suellen Rufino e Thadeu Guaraciaba de Aquino, além de trabalhadores da base. A presença da entidade reforça a importância da participação sindical na construção de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres e ao combate às diferentes formas de violência.

Lançado em fevereiro de 2026, o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio articula União, estados, municípios e os três Poderes em torno de medidas de prevenção, proteção e responsabilização. Entre os objetivos estão o fortalecimento da rede de atendimento às mulheres, a ampliação de medidas protetivas, a responsabilização de agressores e ações voltadas à mudança cultural, com o objetivo de impedir que situações de violência evoluam para o feminicídio.
Durante a audiência, a primeira-dama destacou que é necessário agir antes que a violência chegue à sua consequência mais grave. Ao lembrar de vítimas assassinadas no Paraná, defendeu que essas histórias não sejam esquecidas e ressaltou a responsabilidade do Estado na prevenção de novas mortes. “Nenhuma mulher deveria morrer por dizer que não quer mais. Nenhuma mulher deveria morrer por querer seguir sua vida sozinha, se libertar da violência, viver outras experiências, encontrar outros parceiros, ter outro trabalho. Nenhuma mulher. Falar de feminicídio não é fácil, porque é falar de vidas interrompidas, de famílias e sonhos destruídos, e de mulheres que muitas vezes já haviam pedido ajuda antes que a violência chegasse ao extremo. Por isso, enfrentar o feminicídio também é uma responsabilidade do Estado. É preciso agir antes, é preciso proteger antes, é preciso chegar antes que seja tarde demais”, destacou.

Janja também apresentou dados sobre a violência contra as mulheres. Cerca de 79% dos feminicídios no país são cometidos por parceiros ou ex-companheiros. No Paraná, terceiro estado que mais mata mulheres no país, os registros cresceram 17% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, passando de 47 para 55 casos.
Para diminuir esses números, a primeira-dama defendeu ainda uma atuação integrada entre as instituições. “Executivo, Legislativo e Judiciário precisam trabalhar juntos com metas, integração, orçamento e responsabilidades compartilhadas. Os primeiros resultados mostram que essa articulação pode salvar vidas. No segundo trimestre deste ano, houve uma redução de 14,75% nos casos de feminicídio em comparação ao primeiro trimestre (em âmbito nacional), uma prova de que as ações coordenadas funcionam”, afirmou.
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) também participou da mesa e destacou a importância de o enfrentamento à violência contra as mulheres ocupar espaço central na agenda política do governo federal. “Foi fundamental esta pauta entrar para a centralidade do governo. Temos que reconhecer o papel da companheira Janja por ter sido incansável nisso, inclusive, falando com o presidente que essa pauta tinha que se tornar referência do nosso governo e o presidente foi corajoso e assumiu. Isso na boca de um homem tem muito peso. Pois, como disse o desembargador, nós precisamos colocar os homens para tratar deste assunto, porque as mulheres são agredidas pelos homens.”

O debate também apresentou ações desenvolvidas a partir do Pacto. A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou o fortalecimento da rede de atendimento e proteção, a responsabilização dos agressores e a necessidade de mudanças culturais. Entre as medidas citadas estão o fortalecimento do Ligue 180, a ampliação das Casas da Mulher Brasileira, iniciativas de prevenção e monitoramento de casos de violência, além da defesa da criminalização da misoginia e do fim da escala 6×1, que impactam diretamente a vida das mulheres.

Durante o encerramento da audiência, a deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT) relatou sua preocupação com o cenário encontrado nas escolas e destacou a necessidade de enfrentar o machismo desde a educação. “A pauta da educação pública é o que me trouxe para a política e eu visito muito as escolas. Ultimamente, eu tenho ficado muito assustada porque, em todas elas, a primeira pergunta que me fazem é como combater o machismo e a misoginia dentro da escola, dentro da sala de aula, e eu acho que isso é um termômetro muito importante para sabermos o quanto temos que nos dedicar nessa luta. É pela vida dessas meninas, é pela sociedade que nós queremos no futuro. Então, que a gente tenha coragem e ousadia, como a Janja está tendo, para poder enfrentar a violência contra as mulheres e defender as nossas vidas”, concluiu.
Para a diretora do Sindipetro e representante do Coletivo de Mulheres Petroleiras do PR e SC, Rosilene Maranhão, a participação da entidade em espaços de debate e construção de políticas públicas é fundamental. “Um dos nossos principais pilares é construir uma sociedade mais justa e igualitária, e trazer essa pauta tão urgente pra dentro da nossa luta é assumir um compromisso público não só de apoio às ações do governo, mas de participação ativa, através dos nossos Coletivos de Mulheres, com ações de letramento na questão de gênero e promoção de eventos como rodas de conversas e debates sobre o tema, chamando à responsabilidade os homens a participarem desta luta que não é só das mulheres”, ressaltou.

O Sindipetro PR e SC reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos das mulheres e com o enfrentamento à violência de gênero. A entidade também destaca a importância da participação sindical na construção de políticas públicas que fortaleçam a prevenção, a proteção e o combate ao feminicídio, bem como da ampliação da visibilidade das atividades e das pautas das representantes engajadas com essas causas, para que as trabalhadoras e as mulheres em solo paranaense se sintam mais seguras, representadas e bem cuidadas.
Assista aqui a íntegra da audiência pública:
Fotos: Valdir Amaral e Orlando Kissner / Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP); Assessoria de Comunicação da primeira-dama, Janja Lula da Silva; direção Sindipetro PR e SC
Por Juce Lopes

























