Campanha bolsonarista aciona TSE para cassar candidatura de Lula e Alckmin e tenta criminalizar sindicalistas, em meio à onda de manifestações populares e à luta das organizações em defesa dos direitos da classe trabalhadora. Ação ocorre cinco dias após o jornal ‘Petróleo dos Brasileiros’ ter sido censurado a pedido de Flávio
[Da comunicação da FUP]
Em uma escalada sem precedentes de ataques às organizações sindicais, Flávio Bolsonaro acionou nesta quarta-feira, 14, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exigindo a cassação da candidatura Lula e Alckmin, sob a alegação de suposto abuso do poder político e de uso indevido dos meios de comunicação sindical a favor dos candidatos.
Na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), com mais de 100 páginas, o candidato bolsonarista tenta incriminar dirigentes de centrais sindicais, federações e sindicatos de diversas categorias, que são citados nominalmente no documento, numa evidente tentativa de intimidação, já que foram acionados em seus CPFs e não nos CNPJs das entidades que representam.
Entre os citados, também estão petroleiros e petroleiras que integram as direções da FUP, da FNP e de seus sindicatos, que tiveram os seus nomes relacionados no pedido de investigação. A ação ocorre em meio às manifestações populares e à luta das organizações sociais em defesa dos direitos da classe trabalhadora. Não foi mera coincidência ela ter sido protocolada no TSE no mesmo dia em que o Senado votou e aprovou o fim da escala 6×1, sem a presença do senador Flávio Bolsonaro.
A coordenadora-geral da FUP, Cibele Vieira, uma das citadas no pedido de investigação, afirma que os movimentos sindicais e sociais não se calarão e continuarão debatendo com os trabalhadores e a população as diferenças entre os projetos políticos que estão em disputa nesta eleição. “Vamos seguir fazendo o debate com a sociedade, comparando o que foi a época do presidente Jair Bolsonaro com o que está sendo agora o governo Lula. Vamos, sim, nos posicionar em defesa do que é melhor para a classe trabalhadora e para aqueles que representamos”, enfatiza.
A ação impetrada por Flávio ocorre cinco dias após o TSE ter acatado o seu pedido de censura contra o jornal ‘Petróleo dos Brasileiros’, o que reforça a deliberada campanha de ataques e de tentativa de silenciamento das organizações sindicais. A FUP alerta que a estratégia de intimidação dos movimentos populares é também uma tentativa de desestabilização política, com o objetivo de contestar o resultado das eleições, caso o candidato da extrema direita não seja eleito.
É bom lembrar que no dia seguinte ao resultado do primeiro turno, Flávio Bolsonaro mandou o recado de que, se eleito, aproveitará a maioria da direita no Congresso Nacional para “mudar a Constituição e redemocratizar o país”. Faltando dez dias para o segundo turno, já estamos vendo que tipo de democratização ele defende.
“Não vamos aceitar intimidação. Vamos continuar defendendo os direitos da classe trabalhadora e participando do debate sobre o futuro do país”, reforça a coordenadora da FUP. Os petroleiros e as petroleiras sabem o que está em risco e seguirão alertas e mobilizados em defesa da democracia e da soberania nacional.
Vamos juntos e juntas resistir aos ataques contra a liberdade de expressão e de organização sindical. Não aceitamos mordaça!