Categoria segue prejudicada

Após um ano, trabalhadores da Tecnokip ainda aguardam solução para passivos trabalhistas

Nesta sexta-feira (15), completou um ano da greve dos trabalhadores e trabalhadoras da Tecnokip, no Tepar, em Paranaguá, mobilização que levou a Transpetro a rescindir o contrato com a terceirizada. De lá para cá, outra prestadora assumiu as atividades e os serviços seguem funcionando normalmente no terminal. Ainda assim, parte da categoria continua aguardando aquilo que deveria ter sido garantido há muito tempo: o pagamento dos seus direitos.

O cenário que resultou na paralisação começou a se desenhar meses antes. A primeira greve ocorreu em março de 2025, motivada pelo atraso no pagamento de salários e benefícios referentes ao mês anterior. Após os trabalhadores cruzarem os braços, os valores foram quitados com juros e mora, mas a situação voltou a se repetir pouco tempo depois.

Em 15 de maio de 2025, uma nova greve foi deflagrada. Além dos atrasos salariais, o Sindicato denunciava a falta de pagamento do plano de saúde e odontológico, ausência de depósitos do FGTS e problemas relacionados aos uniformes. Depois de seis dias de paralisação, a Transpetro rompeu o contrato com a Tecnokip e o movimento foi encerrado. Em seguida, a ACV Tecline Engenharia assumiu emergencialmente a prestação de serviços no terminal.

O Sindipetro PR e SC atuou para garantir que os 42 trabalhadores prejudicados fossem absorvidos pela nova contratada, assegurando a continuidade dos empregos e da renda das famílias envolvidas, além de manter a representação sindical e avançar nas condições salariais e de benefícios da categoria.

Mesmo com o fim da greve, os trabalhadores seguem convivendo com incertezas. Um ano depois, o passivo deixado pela Tecnokip permanece sem solução definitiva. O Sindipetro PR e SC ingressou com ações na Justiça e também buscou negociação para que os valores devidos fossem quitados. A empresa, porém, deixou de responder às notificações encaminhadas pelo Sindicato e não apresentou esclarecimentos sobre a regularização das pendências trabalhistas.

No dia 30 de outubro de 2025, o Sindipetro conquistou uma importante vitória na 3ª Vara do Trabalho de Paranaguá, que proferiu 28 sentenças favoráveis aos trabalhadores, determinando que a Transpetro responda pelos passivos trabalhistas. A Justiça reconheceu a responsabilidade da companhia pela falha na fiscalização do contrato. Mesmo diante da decisão, a subsidiária recorreu e segue mantendo os recursos retidos em meio à burocracia, enquanto a terceirizada sequer é localizada por oficiais de Justiça e as famílias atingidas continuam acumulando prejuízos.

Para a entidade sindical, o caso evidencia problemas recorrentes nos contratos de terceirização do Sistema Petrobrás. A FUP e seus sindicatos vêm cobrando mudanças nas políticas de contratação e fiscalização das prestadoras de serviço diante de episódios semelhantes registrados em diferentes regiões do país.

De acordo com o diretor sindical e secretário do setor privado, Thiago Olivetti, os sucessivos problemas envolvendo terceirizadas estão ligados a anos de redução de investimentos e precarização dos contratos. “As especificações técnicas muitas vezes não contemplam pagamento de periculosidade, horas extras ou salários compatíveis com a realidade local. Isso contrasta com o discurso da atual gestão da Transpetro, que afirma defender melhores condições para os trabalhadores de empresas terceirizadas. Quando as gerências locais solicitam adequações e melhorias nos contratos, os custos passam a ser tratados como inviáveis pela alta direção”, destacou.

O Sindipetro PR e SC reafirma que continuará acompanhando o caso e cobrando a responsabilização das empresas envolvidas, além da garantia integral dos direitos dos trabalhadores atingidos.

O cenário vivido em Paranaguá não pode se tornar rotina em uma das maiores empresas da América Latina.