As mulheres petroleiras da FUP realizaram, na manhã desta terça-feira (5), um ato na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, onde dialogaram com trabalhadores e trabalhadoras sobre a importância da participação feminina nos espaços de decisão, o enfrentamento à violência de gênero e o combate ao feminicídio. Barbara Bezerra, coordenadora geral do Coletivo de Mulheres Petroleiras destacou a relevância do momento. “O Brasil atingiu em 2025 o número recorde de 1.568 vítimas de feminicídios, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, isso equivale a 4 mulheres mortas por dia. Por trás desses números estarrecedores temos sonhos interrompidos e famílias destruídas. O feminicídio é a consequência da violência cotidiana contra as mulheres, um retrato brutal dessa sociedade omissa.”
O ato na Regap integra a agenda do Encontro do Coletivo de Mulheres Petroleiras da FUP, que reúne representantes de diversas bases do país, incluindo trabalhadoras da ativa, aposentadas e pensionistas do Sistema Petrobrás. A presença do coletivo na unidade demonstra o papel estratégico da organização das mulheres na luta sindical e na defesa dos direitos da categoria. Durante as intervenções, diretoras dos Sindipetros e da FUP destacaram temas como a ampliação da Candidata à coordenação do Sindipetro MG pela Chapa 1, Carmen Lúcia ressaltou a importância histórica do Coletivo de Mulheres da FUP, apontando que diversas conquistas relacionadas à humanização da gestão, ao combate ao assédio, à implementação de políticas de cuidado e à saúde mental são resultado direto da organização das petroleiras. Ela também deu as boas-vindas às participantes do encontro, que segue até quinta-feira, destacando que a presença das trabalhadoras nas bases fortalece a luta sindical e reafirma o compromisso com uma representação alinhada às pautas da categoria petroleira.

Na intervenção realizada durante o ato na Refinaria Gabriel Passos, a diretora da FUP, Cibele Vieira, aprofundou o debate sobre o modelo organizativo da federação, situando-o como resultado de uma construção histórica do sindicalismo brasileiro. Segundo ela, as decisões da FUP não partem de uma construção de cima para baixo, mas são definidas a partir dos conselhos deliberativos, com participação direta dos sindicatos filiados. Esse processo, destacou, garante legitimidade política às posições da entidade e fortalece a unidade da categoria diante dos desafios colocados pela conjuntura nacional e até internacional.
Cibele também contextualizou a atuação da FUP para além das pautas corporativas, inserindo a luta da categoria petroleira na disputa de um projeto de país. Nesse sentido, ressaltou a origem da federação nas mobilizações contra o antigo modelo sindical e sua relação com a construção de instrumentos políticos da classe trabalhadora, como a Central Única dos Trabalhadores e o Partido dos Trabalhadores. Para a dirigente, a presença dos trabalhadores em diferentes espaços, sindical, social e institucional, é estratégica para avançar na defesa da soberania nacional e dos direitos sociais.
Outro eixo fundamental da fala foi a combinação entre mobilização de base, comunicação e atuação institucional. Cibele destacou que as campanhas da FUP são construídas a partir do cotidiano dos trabalhadores, com ações diretas nas bases, mas também articuladas com estratégias de comunicação voltadas para a sociedade, como as iniciativas de distribuição de gás e combustíveis a preço de custo. Paralelamente, ressaltou a importância da presença dos representantes da categoria petroleira no Congresso Nacional, não como espaço prioritário, mas como campo de disputa necessário para influenciar votações que impactam diretamente os direitos trabalhistas, como as legislações que regem a negociação coletiva e propostas como o fim da escala 6×1.

A dirigente enfatizou ainda o papel das alianças estratégicas com movimentos populares e sociais, apontando que a força da FUP está diretamente ligada à sua capacidade de articulação com diferentes segmentos da classe trabalhadora. Citou a construção de frentes como a Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia, que reúne setores como eletricitários, atingidos por barragens, movimento dos pequenos agricultores e juventude, além da parceria histórica com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Essa articulação amplia o alcance das lutas, ligando temas como energia, soberania alimentar, saúde pública e educação à pauta do petróleo.
Ao tratar da conjuntura, Cibele destacou que a disputa em torno do petróleo e da energia permanece no centro das tensões políticas e econômicas, o que exige organização permanente da categoria. Segundo ela, a FUP mantém sua atuação ancorada na defesa de uma Petrobrás integrada e pública, articulada a um projeto de desenvolvimento nacional que enfrente as desigualdades e garanta direitos para a classe trabalhadora. E afirmou, “A gente está numa disputa de projeto de país, a gente nasceu da campanha o petróleo é nosso e assim a gente segue resistindo a todos os ataques.”

Ao abordar o tema “Mulheres Vivas”, a dirigente trouxe uma reflexão política e social sobre a violência de gênero, destacando a necessidade de romper com padrões culturais que naturalizam o feminicídio. Ela enfatizou que a violência não pode ser analisada de forma simplificada, alertando que agressores muitas vezes estão inseridos em relações cotidianas aparentemente normais. Nesse sentido, defendeu o fortalecimento da consciência coletiva, o acolhimento às vítimas e o engajamento dos homens na construção de uma sociedade livre de violência. Completou, “É essencial o protagonismo das mulheres petroleiras nesse processo de transformação social.”
Em relação ao processo eleitoral do Sindipetro MG, a diretora reafirmou o apoio da FUP à Chapa 1, defendendo a eleição de Carmen Lúcia como a primeira coordenadora do sindicato no estado. Segundo ela, a disputa envolve projetos distintos para a categoria e para o país, sendo fundamental que os trabalhadores e trabalhadoras analisem a trajetória das chapas e votem com consciência e coerência.
Confira as fotos do ato:
Via Imprensa FUP
Fotos: Lorena Nicácio





























































