A entrada em operação da fábrica de fertilizantes do Paraná, que voltou a produzir esta semana, e da UFN-III, em Três Lagoas (MS), após a conclusão das obras, fará com que a dependência das importações de fertilizantes caia dos atuais 88% para 65%
A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados de Três Lagoas (MS), a UFN-III, aprovada pelo conselho de administração da Petrobrás na última segunda-feira, 13, reforça o protagonismo da estatal num setor estratégico para o país. “A continuidade das obras, paralisadas desde 2015, é resultado da pressão dos trabalhadores em defesa de uma Petrobrás forte, integrada ao desenvolvimento nacional e indutora da segurança do abastecimento nacional”, afirma a coordenadora em exercício da FUP, Cibele Vieira.
Com investimentos anunciados de cerca de US$ 1 bilhão e capacidade nominal prevista de aproximadamente 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 toneladas diárias de amônia, a UFN-III contribuirá para reduzir a dependência brasileira de importações de fertilizantes. “Com a entrada em operação da UFN-III reduziremos a necessidade de importação de 80% para 65%”, calcula o diretor da FUP, especialista no setor, Albérico Queiroz.
Ele explica que, atualmente, com a produção das fábricas da Bahia e de Sergipe, o país ainda importa 88% dos insumos para suprir a demanda interna. “Com início da produção da fábrica de fertilizantes do Paraná (Fafen PR), as importações cairão para 80% e, com a UFN-III, diminuirão para 65%. Ou seja, reduz a dependência, mas não sana o problema”, explica.
Albérico destaca ainda que a retomada da produção das fábricas da Bahia e de Sergipe foi essencial para absorver parte dos impactos causados pela guerra no Irã, país que era responsável por fornecer cerca de 18% da ureia que o Brasil importa.
“A conclusão das obras da UFN-III transcende o atendimento aos pleitos do setor agropecuário; trata-se de uma solução estratégica para um déficit estrutural, atuando como um pilar fundamental nas políticas de segurança alimentar e combate à fome”, afirma ele, que é também diretor do Sindipetro Unificado de SP e do Centro Oeste.
Fafen PR volta a produzir amônia
Outra conquista importante para o setor de fertilizantes é a entrada em operação da Fafen PR, que voltou a produzir amônia nesta terça-feira, 14. No domingo, 12, a fábrica já tinha voltado a produzir gás carbônico e, nos próximos dias, retomará a produção de Ureia.
A amônia é matéria-prima essencial para os setores de fertilizantes e petroquímico. Já a ureia é o fertilizante nitrogenado mais demandado no Brasil, com consumo nacional da ordem de 8 milhões de toneladas por ano.
Tanto a UFN-III, quanto a Fafen PR foram paralisadas e colocadas à venda pelo governo Bolsonaro, após a então gestão da Petrobrás retirar a empresa do setor de fertilizantes. Após permanecer mais de quatro anos fechada e ter todos os trabalhadores demitidos, a fábrica foi reaberta no segundo semestre de 2024, com o retorno de parte do pessoal da operação e manutenção, e voltou a operar em março de 2025.
Antes de ser hibernada, a Fafen PR era responsável pela produção de 30% do mercado brasileiro de ureia e amônia e de 65% do Agente Redutor Líquido Automotivo (ARLA 32), aditivo para veículos de grande porte que atua na redução de emissões atmosféricas. Ou seja, o fechamento da unidade fez com que o país deixasse de produzir por dia 2 mil toneladas de ureia e 1.300 toneladas de amônia.
[Da comunicação da FUP]