Com o tema “Mulheres Vivas, a luta pulsa em nós e nossa voz move a história”, o 12º Encontro Nacional das Mulheres Petroleiras da FUP reúne delegadas de diversas regiões do país em um espaço de debate político, formação e deliberação para fortalecer a organização coletiva das trabalhadoras na luta contra todas as formas de opressão, em especial a de gênero. A programação do encontro articula análises de conjuntura, construção de propostas e fortalecimento da unidade da classe trabalhadora.
A abertura do encontro, realizada no dia 5 de maio, foi marcada por um momento simbólico de resistência e identidade coletiva, com a leitura de um poema de Iana Villela pela coordenadora do Coletivo de Mulheres Petroleiras, Barbara Bezerra. O texto destacou a capacidade de reconstrução das mulheres diante das violências e desafios impostos historicamente. “Toda mulher sabe renascer das cinzas porque toda mulher já foi fogueira”, diz um trecho do poema apresentado na atividade.
Na sequência, a plenária inicial deliberou sobre o regimento interno e deu início às discussões sobre os desafios políticos e organizativos do atual período, com análises de conjuntura nacional e internacional realizadas pelas convidadas Rosângela Buzanelli, representante das trabalhadoras e dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás; Soniamara Maranho, dirigente do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB); e Bia Cerqueira, deputada estadual pelo PT de Minas Gerais.
Rosangela Buzanelli, representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás, ressaltou sobre a importância da soberania energética para o Brasil, especialmente através da Petrobrás, lembrando que a empresa foi criada com o objetivo de servir ao interesse coletivo. “Infelizmente, precisa de situações de crise para que as pessoas nos ouçam, porque a gente fala da soberania desde quando a Petrobrás foi criada”, disse.

Ela também fez um relato sobre o último período de reconstrução do Sistema Petrobrás com a retomada de atividades estratégicas com a discussão e aprovação no Conselho, em 2023, com o retorno da oferta de gás, petroquímica e autossuficiência em combustíveis, o que abre as portas para o resgate do refino e fornecimento ao do combustível necessário ao país.
Para ela, o nível de investimento na empresa não chegou onde é preciso chegar. “isso tem todo um processo que precisa ser aprovado em assembleias. É necessário reabilitar esse resgate da distribuição dos combustíveis. O GLP é só uma questão de executar, não existe impedimento legal. Está devagar, eu cobro, mas a gente precisa muito mobilizar a sociedade para que isso aconteça”, enfatiza.
Rosangela expressou preocupação com o avanço do fascismo, o que enxerga como uma ameaça para o país. “Este ano, a eleição será mais difícil que as anteriores. Não vamos poder descansar”, afirmou. Por fim, ela agradeceu o apoio a sua recente reeleição para o Conselho da Petrobrás, onde tem atuado como representante dos trabalhadores da empresa com forte atuação contra as privatizações e em defesa dos interesses nacionais no Sistema Petrobrás.
Soniamara Maranho, da coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragens em Minas Gerais, abordou pontos da conjuntura internacional e nacional, ressaltando que o mundo vive um momento delicado onde o imperialismo americano e seus aliados, em especial o estado de Israel, procura se manter com grande poder, baseado em guerras. Ela cita que há uma lista de 75 países, incluindo o Brasil, que fazem parte dessa estratégia de oposição dos EUA a países que desafiam a ordem capitalista. O Irã é citado como exemplo de país que tem conseguido resistir aos EUA militarmente.
Contextualizando que a geopolítica mundial se move centralmente na disputa entre essas forças, com ênfase na questão energética e mineral, como o petróleo e terras raras, etc, ela chamou a atenção para a ampliação da crise climática que aumentará o número de pessoas atingidas no mundo em situações cada vez mais dramáticas. “As mulheres são as primeiras em qualquer confusão que ocorra, seja na política, na religião, na economia, somos as primeiras a perder os direitos historicamente conquistados”, reforçou. “É muito importante que vivamos ainda neste momento uma onda de violência e crimes contra as mulheres, acentuando a política de ódio e do conservadorismo da extrema direita”, acrescentou.
Citando compromissos do MAB, Soniamara apontou a importância de fortalecer a luta contra a extrema direita, de se aliar a blocos internacionais (como o BRICS), e de realizar ações de resistência e engajamento, incluindo as eleições deste ano. Mencionou ainda a necessidade de internacionalizar a luta e o apoio a países e lutas de resistência, com o envio de ajuda, como medicamentos, para outros países.
Em transmissão ao vivo, a militante do MAB de Belém, Beatriz Moreira, conversou com as participantes do Encontro, relatando a situação da Global Sumud Flotilla com mais de 50 embarcações que levam ajuda humanitária aos palestinos em Gaza. Nos últimos dias, houve uma interceptação pelas forças israelenses perto da Grécia. O brasileiro Thiago Ávila e o espanhol Saif Abu Keshek foram detidos e levados para julgamento em Israel, com denúncia de tortura. “Todos os olhos precisam estar em Gaza. As armas de guerra são a fome e a privação de energia. Gaza e Cisjordânia têm grandes reservatórios de gás e petróleo. Por isso, muitos países são cúmplices e ajudam a financiar o genocídio na região”, relatou a ativista.
Ao final das atividades, foi anunciada a apresentação de uma moção pela libertação dos ativistas sequestrados pelo Estado de Israel durante as ações de solidariedade ao povo palestino.