Fernanda Klitzke foi agredida durante abordagem da PM em Jaraguá do Sul; entidade cobra apuração e responsabilização dos envolvidos
A violência praticada por agentes da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) contra a advogada e candidata Fernanda Klitzke, segunda suplente ao Senado na chapa de Décio Lima (PT), durante uma ocorrência em Jaraguá do Sul, no último sábado (12), provocou indignação e manifestações de repúdio. Imagens divulgadas mostram Fernanda sendo derrubada, atingida por disparos de bala de borracha e chutes.
O episódio ocorreu durante um encontro com apoiadores. A Polícia Militar foi acionada por vizinhos devido à reclamação sobre um convidado que teria chegado de carro com o som alto. Durante a abordagem, Fernanda foi até o local para tentar acalmar a situação, quando passou a ser agredida gratuitamente pelos policiais. Os vídeos, feitos por testemunhas, repercutiram nas redes sociais e colocam em xeque a versão apresentada pela corporação, que apontou desacato e resistência.
A postura do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), também foi alvo de críticas. Mesmo diante das imagens, o governador tratou o episódio como uma suposta “armadilha” da esquerda contra a PM, em vez de reconhecer a gravidade das agressões e defender a apuração dos fatos.
Outra postura que provocou indignação foi a do deputado estadual Sargento Lima (PL), que apresentou na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) uma moção de aplausos aos dois policiais envolvidos na ocorrência. A proposta, registrada como MOC/0271/2026, ainda será submetida à votação do plenário.
Para Ana Carla Naumann, diretora da Secretaria de Comunicação e integrante do Coletivo de Mulheres Petroleiras do Sindipetro PR e SC, o episódio exige repúdio e cobrança por parte da sociedade. “É um completo absurdo que os profissionais que deveriam nos proteger sejam os protagonistas de uma cena de violência extrema e descabida como essa. Uma mulher sozinha, desarmada e calma ser covardemente atacada por dois policiais, com agressão física extrema, com chutes já caída no chão e balas de borracha à queima-roupa: esse é o cenário dessa atrocidade”.
Ana Carla também questiona a imagem da segurança pública de Santa Catarina e defende maior fiscalização dos serviços públicos. “Em um estado que retirou as câmeras corporais de sua força policial e se vende como um dos mais seguros, usando um viés distorcido de um único índice, essas imagens mostram uma realidade muito diferente. Realidade que muitos já conheceram de perto, infelizmente. Não podemos normalizar essas coisas. É necessário que estejamos participando mais ativamente da política das cidades e do estado. Precisamos ser atuantes, fiscalizar e cobrar os serviços públicos não só para cada um de nós, mas sim para toda a sociedade, para que todos tenham mais dignidade e qualidade de vida”, destacou.
Diante do episódio, o Sindipetro PR e SC, juntamente com o seu Coletivo de Mulheres Petroleiras, divulgou uma nota de repúdio à violência policial de Santa Catarina e à violência contra as mulheres. A entidade manifesta solidariedade à companheira Fernanda Klitzke, cobra a apuração rigorosa dos fatos e a devida responsabilização dos agentes envolvidos.

