Após nove dias de intensa mobilização e debates aprofundados, trabalhadores e trabalhadoras do Sistema Petrobrás aprovaram a última contraproposta apresentada pela empresa para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). A decisão foi tomada em Assembleia Geral Extraordinária realizada nesta terça-feira (23), quando a categoria também deliberou pelo encerramento da greve nacional, conforme o indicativo do Conselho Deliberativo da Federação Única dos Petroleiros (FUP).
A votação ocorreu em sessão única e simultânea nas sedes do Sindipetro PR e SC em Curitiba, Paranaguá e São Mateus do Sul, além da participação virtual. Do total de votantes, 89% aprovaram a contraproposta, 7% se posicionaram contrários e 4% optaram pela abstenção. Já o indicativo pelo encerramento da greve foi aprovado por 89% dos participantes, com 6% de votos contrários e 5% de abstenções, consolidando a decisão coletiva construída ao longo do processo.
A assembleia teve início com intervenções da direção sindical. Em sua fala, o presidente do Sindipetro PR e SC agradeceu o empenho da diretoria colegiada, que se dedicou à análise minuciosa do documento apresentado pela empresa em reunião iniciada na segunda-feira (22). “Esse grupo atravessou a madrugada analisando cada minuta do Sistema. Em nome desta presidência, peço uma salva de palmas a quem constrói esse processo para que possamos chegar até aqui”, destacou.

A diretora Cristiane Fogaça, que também integra a direção da FUP, fez um balanço da mobilização e agradeceu a base da Transpetro e da TBG pelo engajamento ao longo do movimento paredista. Ela também reconheceu o empenho das funcionárias do Sindipetro PR e SC durante todo o processo. “Não posso deixar de agradecer às trabalhadoras do Sindicato, que estiveram firmes e fortes conosco, grandes mulheres da luta”, afirmou.
Na sede de Paranaguá, a assembleia foi conduzida pela diretora Ana Carla, que resgatou os desafios enfrentados e os avanços conquistados ao longo do movimento. Em sua fala, destacou o papel ativo de aposentados e pensionistas, cuja participação fortaleceu a mobilização desde os primeiros dias. “Vi colegas da diretoria e do Terminal, além de aposentados que poderiam estar em casa, mas escolheram estar presentes. São pessoas de luta, que sabem que ela é diária. O sistema visa o lucro e, se não estivermos fortalecidos enquanto categoria, vai nos atropelar”, afirmou.

O diretor Fernandes da Cruz, da Secretaria de Aposentados e Pensionistas, também se manifestou, agradecendo o compromisso da categoria da ativa pela inclusão da pauta pelo fim dos PEDs no acordo. Em uma fala marcada pela emoção, ressaltou a importância da solidariedade entre gerações e o entendimento de que a luta por direitos é coletiva. “Pedimos para integrar este acordo coletivo, pois aposentados não têm ACT, e estamos muito felizes. Vocês fizeram algo que nos orgulha. O que mais nos une é trabalhar juntos por quem enfrenta dificuldades. Não importa se sou eu ou a Anacelie, precisamos agir em conjunto para alcançar resultados tão eficazes quanto este ACT robusto. De coração, agradeço, em nome dos aposentados”, afirmou.

A assembleia contou ainda com a presença do presidente da Central Única dos Trabalhadores do Paraná (CUT-PR), Márcio Kieller, que parabenizou a categoria petroleira pela organização e condução responsável do movimento paredista. Em sua fala, Kieller lembrou da luta da classe trabalhadora pelo fim da escala 6×1 e pela construção de relações de trabalho mais justas e humanas. “Nós queremos melhorar a vida dos trabalhadores, ter melhores condições de salário para não ter que fazer tripla jornada e ter tempo para viver”, afirmou.
Iniciado os debates, as direções sindicais apresentaram os principais avanços da contraproposta, que envolvem a defesa de um ACT digno, o enfrentamento aos PEDs, a distribuição da riqueza produzida e a Pauta pelo Brasil Soberano, que trata do fortalecimento do Sistema Petrobrás, da transição energética justa e da defesa de uma empresa pública e integrada. Após os esclarecimentos e manifestações, teve início a discussão do indicativo do Conselho Deliberativo da FUP.
Concluída a avaliação do cenário e do conteúdo da minuta, os trabalhadores deliberaram, por ampla maioria, pela aprovação do indicativo e pelo encerramento da greve, reafirmando a confiança no processo coletivo e na força da mobilização construída ao longo dos últimos dias.
Para o presidente do Sindipetro PR e SC, a decisão demonstra maturidade política e respeito ao método democrático da classe trabalhadora. “Cumprimos nosso dever com responsabilidade, firmeza e unidade. A decisão tomada em assembleia é soberana e deve ser respeitada. Esse é o caminho da classe operária: debater, lutar e decidir coletivamente”, afirmou Alexandro Guilherme Jorge.
Na Fafen-PR, a deliberação ocorreu em assembleias convocadas pelo Sindiquímica-PR, em duas sessões, realizadas nesta terça-feira (23). Os trabalhadores da unidade aprovaram, por unanimidade, a contraproposta apresentada pelo Sistema Petrobrás. O resultado reafirma a unidade entre as categorias.

A volta às unidades
Após a votação, os trabalhadores retornaram às unidades, encerrando um ciclo iniciado no dia 15 de dezembro. Foram nove dias de greve marcados por desafios, pressão intensa e atuação permanente das entidades sindicais na busca pelo melhor acordo possível. Um processo que não começou nos piquetes, mas foi construído nos congressos regionais e consolidado na 12ª Plenafup, onde a pauta nacional da categoria ganhou forma coletiva.
Ao longo da mobilização, o piquete da Repar se consolidou como espaço de organização e formação política, com rodas de conversa, participação de especialistas, debates sobre direitos e conjuntura, além de ações de incentivo à cultura e à economia solidária. Em todas as bases do Paraná e de Santa Catarina, os piquetes também receberam a visita de lideranças políticas e sindicais, fortalecendo o diálogo e ampliando o alcance da mobilização.
Com a retirada da faixas dos portões das unidades e a desmontagem das tendas, encerra-se uma etapa, mas não a luta dos petroleiros e petroleiras. A experiência deixa aprendizados, reforça a organização coletiva e reafirma que direitos não são concedidos, são conquistados. A unidade da categoria segue como instrumento central para enfrentar as próximas batalhas.
Veja ao vídeo do presidente do Sindicato sobre a assembleia
Confira as fotos






























































































